Sobre me achar incapaz, coisas difíceis e arte.
Sempre penso em mudar de área, ir principalmente para algo relacionado a exatas já que me sinto completamente incapaz de trabalhar com arte. As vezes me pego pensando se eu só continuo insistindo por puro comodismo.
E a questão que mais me pega é:
Eu realmente gosto disso? Eu gosto de fazer arte? Seja lá o que isso signifique.
Tenho um conflito há muitos anos com a arte, sempre penso se estou no caminho certo, se é pra mim ou se sou estou “dando murro em ponta de faca”.
Será que eu tenho habilidades que seriam melhores aproveitadas em outras áreas? Será que eu só quero mudar de área porque no fundo eu sei que não é o que eu deveria estar fazendo e eu estou só com medo de sair da minha “zona de conforto”?
Passei as últimas semanas pensando bastante sobre isso e percebi que meu maior problema é simplesmente não acreditar que eu consigo. É um sentimento de me achar incapaz que me acompanha em quase tudo na minha vida.
Desde nova eu vejo as pessoas tendo certeza do que elas querem e indo atrás como se fosse um “dom” e eu sempre ficava “qual será que é o meu dom? Eu devo ter algum, não é possível”.
E eu tentei diversas coisas e sempre ficava muito frustrada porque não conseguia achar o que eu deveria estar fazendo. Nada que eu fazia tinha algum destaque. Até que chegou um momento que eu passei a acreditar no esforço.
Que era só eu passar muitas horas fazendo algo que eu seria muito cabulosa naquilo. E realmente, as coisas que eu me dediquei, eu realmente melhorei só que eu sempre me senti empacada. Como se eu nunca chegasse onde eu queria.
Hoje eu acredito que meu maior problema foi sempre ter aquela voz na minha cabeça falando que eu era incapaz de ser alguma coisa. Que eu nunca ia chegar onde eu queria. E sempre que as coisas ficavam um pouco mais difícil, eu já abria mão e pensava “isso aqui não é pra mim, eu deveria estar fazendo outra coisa”.
E pra surpresa de ninguém, minha evolução artística foi extremamente travada por conta disso. Eu sempre parei quando na verdade eu deveria era me dedicar mais e mais. Se eu não consigo desenhar mãos, eu deveria desenhar até conseguir. Se eu não consigo criar, eu deveria: sentar, tentar, ver onde eu estou com dificuldade, estudar e tentar novamente ao infinito e além. Eu deveria ter tido esse ciclo na minha vida mas eu na verdade: tentava, não conseguia, repensava minha vida toda e desistia.
Bem estupido parando agora pra pensar kkkry.
Mas enfim, ao pensar nessas coisas todas e escrever sobre isso, percebi que não tenho dúvida nenhuma sobre o que eu quero fazer e ser. A arte faz parte da minha vida desde sempre e eu amo fazer isso. Tirar da cabeça que eu não sirvo pra isso, foi como girar uma chave que abriu portas que eu nunca nem tinha visto. E tem sido ótimo, de verdade.
Parece que algo se encaixou e tudo faz sentindo.
Essas últimas semanas tenho produzido bastante, não só esculturas como voltei a desenhar e a pintar no digital. Logo que der, quero tentar algumas coisas em tradicional. Tenho me sentindo bem empolgada com tudo, é como se uma nova etapa da minha vida estivesse começando e que agora nada pudesse atrapalhar isso.
Nada entre aspas, já que estamos em um sistema capitalista que quer nos comer vivos. Mas vamos seguindo e lutando pra que a vida não seja só sobre dinheiro. Apesar de ser.
É engraçado como uma mudança de perspectiva muda tudo. Antes quando eu produzia algo e não gostava, era uma tristeza sem fim e logo vinha a vontade de desistir. Nessas últimas semanas eu me sinto mais motivada a tentar de novo até chegar em um ponto que me agrade. E isso tem feito muito diferença no tempo que eu tenho me dedicado a arte. Fico completamente ansiosa pra poder sentar e produzir.
Agora é como se tudo fosse mais simples, é só continuar tentando, estudando e produzindo.
Tenho me sentindo esperançosa com a vida, coisa que tem tempo que não sinto. E, apesar de tudo, pela primeira vez eu sinto que as coisas vão dar certo.
Estou em um processo de me reorganizar e sinto que esse ano vai ser sobre isso, o que tem me deixado bem empolgada e ansiosa pelas coisas que vão vir.
Seguimos.